INTRODUÇÃO
O Apóstolo Paulo
nasceu em Tarso na Cilícia, Ásia Menor. Tendo sua família emigrado para Tarso
no ano 4 d.C., pressionados pelos Romanos
(Carrez,1987). Tarso, grande centro de cultura e comércio, contava com cerca de 300.000 habitantes. Por lá passava a
estrada romana que ligava oriente e ocidente.
Aprendeu o hebraico junto a Gamaliel em Jerusalém (At 22,3). Sendo um
cidadão romano (At 16,37) de nascimento (At 22,28), certamente deveria pertencer a uma família rica com cidadania Romana
concedida pelo Imperador Cesar Augusto. Como
Judeu (2 Cor 11,22; Fl 3,5; Rm 11,1), fariseu (At 23,6), da tribo de
Benjamim (Fl 3,5) tinha um comportamento considerado irrepreensível: “Todos os judeus sabem como foi minha vida desde minha juventude e
como, desde o início, vivi no meio do povo e em Jerusalém” (At 26,4). Sempre
foi defensor da tradição judaica (Gl 1,14; Fl 3,6).
Paulo, em latim
Paulus (fraco, franzino) na forma hebraica Saul (At 9,4.17; 22,7.l3; 26,14) e Saulos (At 7,58; 8,1.3;
9,l.8.11.22.24). Segundo o costume
comum entre os hebreus da diáspora,
lhe foi imposto o nome de Paulo (At 13,9; 2 Pe 3,15) com o qual é chamado em todas as suas cartas. Os judeus da diáspora
tinham muitas vezes dois nomes:
judaico e grego. Paulo é o homem da universalidade, pois pertence a três culturas
como o próprio nome indica: hebraica, grega e romana
(BADIOU, 2009).
A
contextualização histórica da vida do Apóstolo Paulo não pode e não deve ser reconstituída unicamente com o
auxílio dos escritos paulinos. É uma tarefa difícil,
pois ninguém conseguiu fazê-lo sem recorrer também aos Atos dos Apóstolos de Lucas. O texto mais rico dos escritos paulinos
de informações é Gl l,6 - 2,14. Aprendemos
pelos escritos que ele foi circuncidado ao 8º dia (Fl 3,5), pertence à raça de Israel (Fl 3,5) da estirpe de Abraão (2
Cor 11,22). Na oportunidade que escreveu a carta a Filêmon o apóstolo era velho e prisioneiro (Fm 9). Estas são
algumas breves notícias ligadas a
alguns fatos da vida de Apóstolo Paulo. Estas informações aparecem num contexto de polêmica e apologia
sua pessoa e seu ensinamento.
Uma vida plena e
rica segundo os Atos. Temos aí informações sobre sua origem, conversão, vocação, viagens, estadia em Jerusalém. São
informações preciosas, mas que devem
ser submetidas certamente a uma crítica histórica e teológica. As fontes de São Lucas certamente não eram os escritos
paulinos, mas algumas narrações
que eram passadas sejam entre as
equipes missionárias ou entre as comunidades Paulinas. Uma possibilidade seria reunir os dados
históricos de Apóstolo Paulo e Lucas. Assim pode-se
reconstituir uma cronologia do apóstolo que seja baseada em Gl l,6-2,14 ou reunindo os elementos dos Atos dos Apóstolos e o dos escritos paulinos
juntos. Sabemos que difícil
seria obter dados muito precisos, afinal a Bíblia não se propõe a ser um livro
histórico.
O que aconteceu
na estrada para Damasco nos dá uma interpretação da teologia paulina. Nos Atos dos Apóstolos temos narrações do
evento (9,1-30; 22,3-21; 26,9-20).
Nos escritos paulinos temos alguns textos que remetem esta experiência no encontro com Cristo.
São passagens
que mostra que a vida do Apóstolo Paulo se divide em duas como perseguidor de Cristo identificado na comunidade (Gl
1,13.23; 1Cor 15,9; Fl 3,6; At 9,4), e depois: a entrada violenta
de Jesus em sua vida. As expressões fortes: queda (At 9,4; 22,7; 26,14), cegueira (At 9,8-9), fui apanhado (Fl 3,12), mostram o que o mesmo viveu. Sugerem uma ruptura.
De ora em diante
o Apóstolo Paulo não coloca sua vida presente na observância da Lei, mas sim no amor divino por ele (Gl
2,20-21; Rm 3,21-26). Quando ele olhava para
Deus, o via distante e procurava alcançá-lo através da Lei. Agora se
sentindo acolhido e justificado
divinamente, podia esquecer-se de si, de sua justificação para pensar nos irmãos e servi-los (Rm 13,10; Gl 5,14). A
conversão do Apóstolo Paulo foi lenta.
Foram 13 anos de silêncio após o dramático
acontecimento de Damasco. Passou um tempo na
Arábia (Gl 1,17). Algumas frases do próprio apóstolo permitem observar
algo daquilo que ele viveu nestes anos (Gl 2,20; Rm 6,8; Cl 1,24; 2Cor 12,10; Rm 8,35; Gl 6,14;
1Cor 13,13; Fl 3,12).
Sendo um
missionário (At 13,2-4), a comunidade local judaica da Palestina interfere e manda o Apóstolo Paulo sair de
onde vive e ir pregar o Evangelho pelo mundo.
“Havia milhões de Judeus na dispersão e na Palestina
(CARREZ, 1987). O Apóstolo Paulo tinha muito que evangelizar. Fez
inúmeras viagens (2 Cor 11). O Evangelho
precisava ser divulgado no mundo
urbano das cidades.
Mesmo sabendo
grego (At 21,37) e o hebraico (At
21,40; 26,14). Teve dificuldades em se comunicar. Entre os judeus não tinha problema pois dominava o aramaico.
Na Galácia resolveu o problema com gestos e desenhos: “Diante de vocês foi desenhada a imagem de Jesus crucificado”
(Gl 3,1). Por muitas vezes tinha que
parar a viagem e trabalhar como construtor de tendas, ofício aprendido com seu pai e que possivelmente
tenha lhe possibilitado a cidadania romana, para conseguir sustento (2Ts 3,10: At
20,30-44).
O Apóstolo Paulo
doou-se inteiramente à grande causa missionária, de modo que é muito difícil separar sua vida
particular da sua função de apóstolo. Utilizou sua vida como um dos principais instrumentos para pregar e ensinar. Foi
um exemplo vivo de cristão submisso a
Deus que sempre reconhecia suas fraquezas e limitações.
Aponta-se ele contemporaneamente como um exemplo a
ser imitado e que ainda hoje convidaria aqueles que seguem a Cristo para buscarem ser exemplo para as outras pessoas, também: “Irmão, sede imitadores meus e
observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós”
(Fl 3,17).
A maneira pela
qual transmitiu a mensagem de Jesus Cristo o consagrou como o mais importante teólogo do Cristianismo. Sua
personalidade, que era de certa maneira
ao mesmo tempo sensível e rígida, foi de muito importante para a formação do caráter
dos que viriam a ser chamados no futuro como sendo cristãos.
Elaborou diretamente e de modo bastante prático um corpo de escritos que
serviram para certa organização dos que
seguiam de Jesus (MEEKS, 1997).
O Cristianismo, enquanto padrão social,
elaborou uma visibilidade de homem e do daquele
mundo que se moldasse no perfil de Jesus Cristo, tornando-se naquele momento um padrão de universalidade.
Para a
compreensão do que era o Cristianismo,
é fundamental conhecer a vida e as cartas do Apóstolo Paulo, visto que este
foi um dos primeiros e mais importantes organizadores dessas comunidades. Suas lições não se limitaram a determinada
época. Estão bastantes presentes até hoje na vida dos atuais cristãos, bem como na sociedade contemporânea em
geral. Apesar de tantas questões
complexas debatidas atualmente acerca da condição do homem, o retorno aos clássicos
pode contribuir significativamente para compreender essa situação (BARBAGLIO, 1989).
Conflitos com
falsos irmãos. Conflito com Pedro (Gl 2,11-14), conflitos pastorais gerados com pagãos dentro da
comunidade e entrando sem passar pelas rígidas
leis do judaísmo (At 15,6- 21; Gl 2,1-10). Tudo somado aos grandes
inúmeros desafios como pastor:
convivendo com um povo surrado pelos impostos e a concentração da renda da “Paz Romana”, por isso buscavam
muitas respostas no misticismo das religiões que iam aparecendo. Enfim em cada uma das suas viagens
enfrentou dificuldades e
conflitos de todo tipo (MESTERS, 1991). A conversão o tirou de uma posição na sociedade e o colocou em outra
bem inferior: “Por causa de Cristo perdi tudo”
(Fl 3,8). O Apóstolo foi um exemplo de trabalhador que sempre anunciava o Evangelho com a própria vida sem o menor
descanso. No horário de trabalho ia para a oficina de tendas; nas horas que não estava na oficina
reunia a comunidade para evangelizar (MESTERS, 1991).
O Apóstolo Paulo
passa a prisioneiro e organizador e chegando ao final de sua carreira.
Certos textos (Rm 7,21-25; 8,35.38-39) mostram claramente o caminho dele: do
homem amarrado, abatido e derrotado por dentro, para o homem com liberdade e
que soube assumir sua fraqueza
como manifestação da graça: “é na fraqueza
que se manifesta todo o poder de Deus” (2 Cor 15,9). Ele ficou preso em
Cesareia na Palestina (At 24,27), e
em Roma (At 28,30). Após ter sido libertado e viveu mais cinco ou seis anos, até uma nova prisão que o levou até
a morte.
Além das cartas
do cativeiro, escrita na prisão tem
as cartas pastorais que apresentam um homem preocupado com o futuro das comunidades que tinha visitado
anteriormente (MESTERS, 1991). Tensões e conflitos se misturavam com doutrinas estranhas
e com diversos outros tipos de
religiões. Era sinal da crise espiritual e de instabilidade geral. Daí é possível se explicar o modo conservador das cartas pastorais
(l Tm 1,4; 4,1.7; 6,20; 2Tm 2,14.16.23; 4,4; Tt 1,14; 3,9).
PERICOPES SOBRE A ATUALIDADE DOS ESCRITOS PAULINOS
Bento XVI, o
emérito Pontífice, apresentou na cidade do Vaticano no dia 2 de julho de 2008, o exemplo de apóstolo
dos povos, em particular sua capacidade para
assimilar os grandes valores filosóficos de sua época e de harmonizá-los
sem trair no mínimo a sua fé em Jesus Cristo. Em um mundo multicultural e multirreligioso, segundo
ele, o Apóstolo Paulo tem uma mensagem particularmente atual. Sua primeira intervenção, celebrada na Sala
Paulo VI do Vaticano, com a participação de quase
dez mil peregrinos, se concentrou em apresentar uma análise do ambiente na qual o santo viveu, pois – como assinalou – “o
contexto sociocultural de hoje não é muito diferente do de
então” (BLOG BÍBLIA CATÓLICA, 2002).
O emérito Bispo de
Roma apresentou nesta oportunidade o Apóstolo Paulo como “homem de três culturas” levando em conta que o
mesmo teve uma origem judaica, seu idioma grego
e sua prerrogativa de “civis romanus”,
como testemunha também o nome de origem
latina. Esta visão universalista própria da personalidade do Apóstolo Paulo
deve basicamente sua direção dada pela fé em Jesus Cristo, enquanto
a figura do Ressuscitado “supera
todo particularismo”, reconheceu nesta passagem o emérito pontífice
(BLOG BÍBLIA CATÓLICA, 2002).
Tendo, este TCC,
como o seu objetivo identificar passagens bíblicas dos escritos paulinos que contemporaneamente estariam perfeitamente
aplicáveis, e como são bastante
numerosos e extensos esses escritos, será feita uma seleção temática de perícopes. Serão então focados os seguintes
temas: 1. As missões nos escritos paulinos;
2
A
educação nos escritos paulinos; 3. Os conselhos para a liderança eclesiástica
nos escritos paulinos; 4. A filosofia/antropologia/sociologia nos escritos paulinos.
5. A sexualidade nos escritos paulinos.
2.
DESENVOLVIMENTO
2.1 . AS MISSÕES
NOS ESCRITOS PAULINOS
Com relação
a um Apóstolo missionário, pode-se
destacar a seguinte
passagem bíblica dos escritos paulinos com sua exegese e atualidade com
base nas citações e na literatura atual pesquisada.
13 Que o
Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem
de esperança, pelo poder do Espírito Santo.
14 Meus irmãos,
eu mesmo estou convencido de que vocês estão cheios de bondade
e plenamente instruídos, sendo capazes de aconselhar-se uns aos outros.
15 A
respeito de alguns assuntos, eu lhes escrevi com toda a franqueza, como para fazê-los lembrar-se novamente
deles, por causa da graça que Deus me
deu,
16 de ser um ministro
de Cristo Jesus para os gentios, com o dever
sacerdotal de proclamar
o evangelho de Deus, para que os gentios se tornem uma oferta aceitável
a Deus, santificados pelo Espírito
Santo. 17 Portanto, eu me glorio em Cristo Jesus,
em meu serviço a Deus.
18 Não
me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação, a
fim de levar os gentios a obedecerem a Deus:
19 pelo poder de sinais
e maravilhas e por meio do poder do Espírito
de Deus. Assim, desde Jerusalém e arredores, até o Ilírico, proclamei plenamente o evangelho de Cristo.
20
Sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse
edificando sobre alicerce de outro.
21 Mas antes, como está escrito: "Hão
de vê-lo aqueles que não tinham ouvido
falar dele, e o entenderão
aqueles que não o haviam escutado" ( Rm 15, 13-21)
Nesta perícopes
encontram-se perspectivas na vida e no ministério do Apóstolo Paulo. É
bom lembrar que ele escreveu quase no fim de sua carreira missionária e que a carta aos romanos, em parte, é uma análise
das polêmicas missionárias que ele enfrentou. Nesta
passagem, em poucas palavras, o apóstolo resume sua experiência missionária. Nesta passagem, ele é o agente
missionário (ou, em última análise, o
próprio Deus - v. 15) (CORRIKER, 1992). Embora, logicamente, ele não diga aqui que ele representa o melhor
da liderança da igreja, sabe-se disso pelo testemunho
do evangelista São Lucas.
O Apóstolo Paulo
já tivera seu ministério aprovado
como um dos mestres e profetas em uma igreja local altamente comprometida com missões
- a
igreja de Antioquia (At 13,1-3).
Fica descrito
que o objetivo maior de sua missão estava expresso
em: “conduzir os gentios à
obediência” (v. 18). Sendo mais do que uma decisão de “aceitar a Cristo”.
Como o Apóstolo Paulo realizou seu trabalho missionário? No final do v. 18, ele
diz literalmente: “… por palavra e
por obras”. É evidente que não estabelecido por ele prioridade entre a proclamação do evangelho e sua demonstração por obras.
As duas coisas faziam parte integral e não separada de seu modo de testemunhar (CORRIKER, 2005).Tanto
“gentios” quanto “nações” traduzem a palavra grega, ethnos. A ideia de ethnos está mais próxima da ideia de
grupos étnicos do que países. O objeto com o
qual as missões lidam são as diversas etnias. Paulo teve ideia
semelhante, e isto se percebe pelo
fato de ele ter atuado apenas nos limites de um só governo, o Império Romano,
enquanto fazia distinção
entre os povos deste império
(CORRIKER, 1992).
Para o Apóstolo
Paulo era necessário muito esforço para o desempenho de sua missão. Era seu dever (v. 16), seu ministério (v. 16),
sua ambição e edificação (v. 20),
que seriam realizados por suas obras e palavras (v. 18). Porém, este serviço
não se resumia a mero esforço humano.
O Apóstolo afirmou que o poder do Espírito atuava em cada etapa (v. 19) e que era Cristo o verdadeiro realizador de
toda a obra (v. 18) (CORRIKER, 1992).
Atualmente o que
teríamos se o Apóstolo estivesse pregando e observasse que os nossos líderes não mais possuem uma atitude de servos e
que deveriam entender que seu serviço
missionário deve ser hoje em dia como um culto, esforços e sacrifícios prestados a Deus.
Como ele pregou
e pregaria em nossos dias. Seria evidente que o apóstolo não iria estabelecer prioridade entre a proclamação do evangelho e a sua
demonstração por obras, pois ambas fazem ainda na atualidade
contemporânea do que seria a sua
maneira de testemunhar. Ele citaria certamente as missões como sendo transculturais em vez de missões estrangeiras, pois na sua época não lidava com nações e sim com etnias (CORRIKER, 1992).
E o seu lema atualmente
não seria: “uma igreja em cada região”
e sim “uma igreja em cada povo”. Como atualmente as organizações
missionárias não procuram uma ligação com igrejas locais, estaria então perfeitamente atual, que ele frisaria como
no v.19 que a Igreja de Antioquia já fora sua
primeira base para a evangelização da região de Jerusalém e arredores.
Portanto o apóstolo reforçaria hoje em dia a importância de ligar seu ministério missionário à igreja local (CORRIKER, 2005).
A convicção de
que Cristo voltaria e a necessidade subsequente de anunciá-lo a quem ainda não
ouvira eram e seriam ainda atualmente motivações para Apóstolo Paulo, como diria hoje para nós, no desempenho da
missão de Deus. E que sejamos fiéis à sua missão (CORRIKER, 1992).
2.2
A EDUCAÇÃO NOS ESCRITOS PAULINOS
Com relação
à educação, o que temos nos escritos
paulinos na Bíblia considerando que o Apóstolo Paulo se tornou doutor dos gentios
e assim considerava-se por causa da sua dedicação ao ensino que
objetivava apresentar todo homem a
Deus, perfeito em Cristo Jesus. Este foi um projeto muito ambicioso pelo qual lutou
incansavelmente até os últimos momentos de sua vida (LEITE, 2012).
O Apóstolo Paulo
como pedagogo da fé cristã esforçou-se na sua época para tornar claro em todos os ambientes a mensagem do
evangelho que traz em si as boas novas da salvação
em Cristo Jesus, promovendo no primeiro século desenvolvimento e amadurecimento
dos cristãos, de forma a apresentar todo homem perfeito em Jesus Cristo,
conforme ele mesmo declara em Colossenses 1,27-29 (LEITE, 2012):
27 A eles quis Deus dar a conhecer entre os gentios a
gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês,
a esperança da glória.
28 Nós
o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo
homem perfeito em Cristo. 29 Para
isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim.
A palavra
pedagogia tem origem
na Grécia Antiga, paidós
(criança) e agogé (condução). No decurso da história
do Ocidente, a pedagogia firmou-se como correlato
da educação. Ela pode ser hoje definida como sendo a ciência que estuda as teorias do ensino, tendo como objetivo
buscar métodos para tornar a educação cada vez
melhor e mais atrativa.
O Apóstolo Paulo atualmente sendo um pedagogo contemporâneo da fé cristã iria se esforçar para tornar claro
nos ambientes a mensagem do evangelho que traz
em si as boas novas da salvação em Cristo Jesus, promovendo o
desenvolvimento e amadurecimento dos cristãos (LEITE, 2012).
Nos escritos aos
romanos, o apóstolo declara ter se proposto ir a Roma, no entanto até aquele momento ele fora
impedido. Seu objetivo era contribuir com a fé
cristã dos crentes em Roma, Rm 1,14: “Eu sou devedor, tanto a gregos
como a bárbaros, tanto a sábios
como a ignorantes”. O
O Apóstolo Paulo
declara ter se proposto muitas vezes ir a Roma,
no entanto até aquele momento ele fora impedido. Seu objetivo era contribuir com a fé cristã dos crentes em Roma, cuja igreja era constituída tanto de judeus como de gentios. No versículo 14, o Apóstolo
Paulo se declara devedor, a gregos, bárbaros, sábios ou ignorantes. É baseado no conhecimento que ele tem da salvação
em Cristo Jesus que ele atualmente
também seria devedor de todos os tipos de pessoas do momento presente. Conforme
W. Mac Donald (apud LEITE,
2012):
“Quem tem Cristo
conta com a resposta para a necessidade humana
mais profunda, tem a cura para a doença do pecado, encontra o modo de ser poupado dos horrores
eternos do inferno e recebe a garantia
de
felicidade
eterna com Deus. Diante disso, o salvo tem a obrigação solene de compartilhas as boas novas com povos de todas as
culturas, isto é, tanto a gregos como a bárbaros,
e com todos os graus de instrução, isto é, tanto a sábios como a
ignorantes. Paulo iria sentir na atualidade essa obrigação de forma intensa
e declararia hoje: Sou devedor”.
Nestes citados
escritos aos romanos, o Apóstolo Paulo usa a palavra "saber" ou "conhecer" onze vezes. O que ele
diria sobre o saber atualmente? Devemos atualmente nos educar na Palavra de Deus, pois quando adquirimos conhecimento espiritual,
podemos então aplicá-lo nas nossas vidas de maneira prática, rendendo-nos a Ele e usando o conhecimento piedoso para
servir ao Senhor em espírito e verdade (Romanos
6,11-13), O velho ditado é: "Nós não podemos usar o que não
conhecemos." Este princípio é
duplamente verdadeiro quando se trata da educação bíblica (HOCK, 2006).
O Apóstolo Paulo
advertiu Timóteo a “apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a
palavra da verdade” (2 Timóteo 2,15). A palavra
grega traduzida como "maneja" significa
dar diligência, esforçar-se ou apressar-se a aplicar-se.
Portanto, a fim
de aprender ou nos educar, somos instruídos
a aplicar-nos a estudar atualmente também como no 1º século o Apóstolo Paulo recomendou com diligência a
Palavra de Deus (LEITE, 2012).
A razão é também encontrada na
segunda carta do Apóstolo Paulo a Timóteo. "Toda a Escritura é inspirada
por Deus e útil para o ensino, para a
repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
habilitado para toda boa obra"
(2 Timóteo 3,16-17). A educação bíblica equipou na época e ainda irar equipar atualmente os crentes nascidos de novo de
modo que Deus é capaz de realizar neles o trabalho que Ele ordenou (Efésios 2,10).
Disse o Apóstolo
Paulo que a educação bíblica nos transforma pela renovação da nossa mente (Romanos 12,2), ou seja,
atualmente ainda diria o apóstolo que deveria ser através do processo contínuo da aplicação de conhecimento com a
mente de Cristo, "o qual se nos
tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e
redenção" (1 Coríntios 1,30)
( HOCK, 2006).
Abordando a evolução histórica, podem ser citadas as cartas
do Apóstolo Paulo como a primeira forma de
Educação a Distância (EAD), na época, início da Era Cristã, nesta época, logicamente, não se pensava
nos termos “mídias”
ou “ferramentas”, aplicando-os
ao processo de comunicação entre o apóstolo e seus irmãos espalhados pelo império romano.
Mas as cartas paulinas,
de forma pioneira
já eram mídias assim como
ferramentas que eram utilizadas para a comunicação e educação religiosa
dentro daquelas circunstâncias vigentes (SANTOS, 2006). Futuramente, vieram muitas outras e, hoje na
atualidade, a EAD se vale das mais variadas formas para melhorar a eficácia
do processo de ensino e aprendizagem classificadas como tecnologias.
Tecnologia do material impresso,
tecnologias de áudio, tecnologias computacionais e tecnologias de vídeo ou
audiovisuais. Essas tecnologias são as mídias
e ferramentas das quais com certeza o Apóstolo Paulo faria uso na
atualidade para a educação religiosa
a distância e consolidação do evangelho dos povos que no passado tinha evangelizado, porém certamente todos os conteúdos
dos seus escritos
seriam perfeitamente iguais e aplicáveis na atualidade (SANTOS, 2006).
Considerando que
na atualidade o processo de mentoria se apresenta como sendo uma vanguarda na educação, principalmente em relação à
educação religiosa, o apóstolo foi
mentoreado por Gamaliel e é possível observar que o Apóstolo Paulo mentoreou
diversas pessoas (KORNFIELD, 1996), mas foi com Timóteo que esta metodologia educacional no primeiro
século se destacou. É possível que o mentor na
atualidade, seria um sucesso se reunisse as principais qualidades de Apóstolo
Paulo descritas nessas passagens:
*
Relacionamento
paternal e familiar: O Apóstolo Paulo tratou Timóteo, repetidas vezes, como filho (1Tm 1,2. 18 e 2 Tm 1,2; 2,1). Na
atualidade certamente o apóstolo,
pregaria a falta de pais espirituais assim como de filhos. A desestruturação e
o desajuste familiar na atual geração
são terríveis. Precisa-se muito de pessoas que saibam gerar filhos espirituais salientaria Apóstolo Paulo atualmente (KORNFIELD, 1996).
*
Amor:
Vale a pena destacar como o Apóstolo Paulo se referia a Timóteo: “meu amado filho” (v. 2). Quantos líderes e
pastores não estão convictos atualmente de que
são realmente amados, aceitos pelo Senhor ou até mesmo por um mentor,
possivelmente o apóstolo estaria atento ao ato atualmente
(KORNFIELD, 1996).
*
Intercessão:
a ligação profunda entre o Apóstolo Paulo e Timóteo transparecia no relacionamento com Deus. O apóstolo
lembrava-se de Timóteo constantemente, dia e
noite (v. 3). diria o Apóstolo Paulo o quanto é contemporaneamente um
privilégio contar com um mentor intercessor.
*
Saudade
e alegria (v. 4): o Apóstolo Paulo, afinal, possuía um lado afetivo e sabia expressá-lo. Desenvolveu uma ligação
afetiva com seu mentoreado. Alegrava-se com seu mentoreado e realmente buscava
oportunidades de compartilhamento (2 Tm 4,9) (KORNFIELD,
1996).
Atualmente a
alegria do Apóstolo Paulo seria refletida na
alegria do Pai no
Filho quando diz: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”.
*
Orientação no pensamento estratégico: o Apóstolo Paulo desafiaria um mentoreado
a reproduzir o que recebeu dele. Certamente mais que isso. Iria desafiá-lo a multiplicar-se através de escolher as
pessoas certas, dentro da realidade dos dias atuais, para que estas, por sua vez, ensinem presentemente a outros o
que receberam (2 Tm 2,2) (KORNFIELD, 2002).
Certamente na
atualidade será mais produtivo se a relação entre mentor e mentoreado não for apenas individual, de
um para um, mas dentro de um grupo ou equipe. Esse era o procedimento de Jesus Cristo.
Não há relatos de encontros
individuais com os discípulos, mas de encontros
em grupo (HENDRICKS, 1999).
O Apóstolo Paulo reafirma
a Timóteo que o que este recebia
“na presença de muitas testemunhas” (2 Tm 2,2), pela imposição de
mãos, não provinha apenas dele, mas também
dos presbíteros (1Tm 4.14). No livro de Atos, o Apóstolo aparece quase sempre em grupo
ou em equipe. Escritos de Apóstolo Paulo, como 1 e 2 Tessalonicenses, por exemplo, trazem
como remetentes “Paulo, Silvano e Timóteo” (HOUSTON,
2003).
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